Fenerbahce
Deivid Gol
Trajetoria
Com a ajuda da família, a realização de um sonho: ser um jogador de futebol de sucesso no Brasil e na Europa

Nascido em uma família humilde de Marechal Hermes, no subúrbio do Rio de Janeiro, Deivid sempre sonhou em se tornar um jogador de futebol profissional. No início, as dificuldades foram grandes, mas com muita força de vontade e, principalmente, contando com o apoio de sua mãe, o atacante seguiu em frente e brilhou com as camisas do Santos, Corinthians e Cruzeiro, três dos maiores clubes do futebol brasileiro.

A ida para a Europa era questão de tempo e se concretizou pela primeira vez em 2003, quando foi para o Bordeaux, da França. Depois, atuou no Sporting de Portugal e, desde 2006, é um dos principais nomes do poderoso Fenerbahçe, da Turquia, com o qual renovou contrato até 2012.

Neste bate-papo com o internauta, Deivid conta um pouco de sua trajetória pessoal e profissional. O início no Santos, a polêmica transferência para o Corinthians, a ida para o futebol europeu e seus planos para o futuro.

Quando e como surgiu seu interesse pelo futebol? Seus familiares o apoiaram desde o início?

Desde pequeno já gostava de futebol. Com nove anos fui jogar futsal e com 12 fui para o campo, onde minha mãe foi a maior incentivadora.

Fora a sua família, quais as pessoas que mais o apoiaram no início de sua trajetória no futebol?

A pessoa que mais me apoiou foi o Sr. Oliveira, meu treinador na escolinha do Botafogo em Guadalupe, subúrbio do Rio de Janeiro. Depois veio um grupo de empresários que me ajudaram muito. Foram eles que me levaram para o Santos.

Quais as principais características que você destacaria em seu estilo de jogo?

Me considero um atacante rápido, de forte finalização a gol, e com muita visão de jogo.

Quais as principais características que você destacaria em seu comportamento como atleta profissional?

Eu como atleta sou tranquilo, observador, mas gosto de brincar nos momentos de descontração.

Você formou uma família desde bastante jovem. Qual a importância de sua esposa e filhos em sua vida e em sua carreira?

Graças a Deus encontrei uma pessoa muito especial, a Juliana, logo que cheguei a Santos, ainda garoto, com 18 anos, no momento mais importante da minha vida. Foi o início em um grande clube o Santos, no qual após meses me profissionalizei. Ela sempre esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis, me apoiando, orientando e me dando força para continuar o meu trabalho. E hoje posso dizer que ela é o meu alicerce. Temos dois filhos maravilhosos, que hoje são a razão de nossas vidas. Faço tudo pensando neles, quero ser um pai presente e dar o carinho que eu nunca tive do meu pai, pois infelizmente eu o perdi com meses de vida, não podendo sequer conhecê-lo.

Em algum momento, principalmente no início de sua carreira, você pensou em desistir da profissão de atleta devido a alguma dificuldade?

Sim, pensei em parar de jogar futebol, pois venho de uma família muito pobre em que minha mãe passava por dificuldades em casa. Sendo assim, deixei de treinar por um período para ir trabalhar, vendendo espetinho de carne no bairro onde morava, para ajudá-la em casa. Depois de um mês ela me disse chorando "meu filho, vá atrás do seu sonho. Caso não dê certo, foi porque Deus não quis". Essas palavras foram determinantes para mim naquele momento, fazendo com que eu corresse atrás do meu objetivo, que era me tornar um jogador profissional. Acreditava que assim poderia ajudá-la a superar as dificuldades financeiras.

Você saiu do Santos para seu maior rival, o Corinthians, e depois voltou à Vila Belmiro para ser campeão brasileiro. Como foram esses dois momentos?

Quando eu fui para o Corinthians, pensava não apenas no lado financeiro, como a torcida do Santos por muito tempo acreditou, me chamando de "mercenário". Acredito que todo profissional tem um propósito a alcançar, naquele momento, para mim, já havia alcançado o meu, no Santos. Acreditava que com a mudança de clube eu teria possibilidades não só financeiras, mas principalmente de alcançar novos objetivos, no caso, títulos. Além da vontade de buscar novas oportunidades tive um problema contratual, na época não conseguimos chegar a um acordo, e diferente do que todos pensavam não fui eu que quis sair e sim o Santos que não se empenhou para fecharmos o acordo.

Quanto ao meu retorno, tudo ficou esclarecido, principalmente com o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, pessoa pela qual tenho uma enorme admiração. Ainda enfrentei a resistência da torcida, que mesmo depois de vários anos no começo pegava no meu pé, mas à medida que fui mostrando meu trabalho, fazendo gols, jogando bem, eles voltaram a me apoiar. Depois, foi tudo maravilha, até a conquista do Campeonato Brasileiro de 2004.

Você atua há muito tempo na Europa. Quais os aspectos positivos e negativos de se jogar fora do Brasil? Quais as principais diferenças no estilo de jogo do futebol europeu em relação ao brasileiro?

O aspecto positivo de se jogar na Europa, além do financeiro, é poder passar mais tempo com minha família, devido à escala de jogos ser menor do que no Brasil. Nossos familiares ficam mais à vontade para sair à rua, devido à segurança ser muito melhor do que no Brasil. E o negativo é que você fica longe dos outros familiares que ficaram no País. Com relação ao estilo de jogo, aqui na Europa é bem diferente, o jogador aqui tem que ter força e técnica, senão fica complicado jogar. Eu particularmente tive muita dificuldade de adaptação na França, Portugal e também no primeiro ano aqui na Turquia. Tive que ter outro estilo de jogo para me dar bem aqui porque senão eu estava "morto". Por isso que falo que o jogador brasileiro tem que ser preparar bem no Brasil para depois seguir para a Europa.

Você jogou em Portugal, França e está agora na Turquia. Em qual país você se adaptou com mais facilidade? Teve dificuldade em algum deles?

Eu me adaptei melhor na Turquia, por causa do grande número de brasileiros que jogam no Fenerbahçe. Tive, sim, muita dificuldade na França, até porque minha esposa estava grávida de oito meses, e logo após nasceu minha filha Giulia. Estávamos apenas um mês em um país com costumes, culturas e língua totalmente diferentes, portanto não tivemos tempo para nos adaptar ao país. Era nosso primeiro filho, todos os nossos familiares estavam longe, não falávamos a língua. Assim não consegui dar continuidade ao meu trabalho lá no Bordeaux e logo voltei para o Santos. Não posso negar que foi uma ótima oportunidade e tudo que passei valeu como um aprendizado em minha vida.

A Turquia é um país com costumes um pouco diferentes do Brasil, principalmente no que está relacionado à religião. Como é sua vida e de sua família em Istambul?

Minha vida em Istambul é maravilhosa, vivo muito bem aqui. Minha família está totalmente adaptada, meus filhos vão à escola, eles podem sair à vontade às ruas, passear, enfim, têm uma vida normal, porém, com mais segurança, assim fico bem mais tranquilo. O povo turco me aceitou muito bem, desde a minha chegada no aeroporto, quando me receberam de braços abertos, com sua calorosa torcida, sendo assim até hoje.

A Turquia é um país muito rico, com belos museus, palácios, mesquitas. Tem belas praias, monumentos, enfim, muita riqueza para conhecemos. Com relação à religião eles também são fanáticos, não é só com o futebol. 95% da população é mulçumana. Podemos dizer que moramos na Turquia, porém com costumes, comida e língua como se tivéssemos morando no Brasil, devido ao grande número de jogadores brasileiros que atuam comigo no Fenerbahçe.

Fale sobre a torcida turca, em especial a do Fenerbahçe. A paixão pelo futebol é parecida com a do brasileiro? Como você é tratado nas ruas, restaurantes ou shoppings?

Os turcos são muito fanáticos por futebol, acredito que seja até mais que os brasileiros. Todos nós brasileiros aqui na Turquia, em geral, somos muito respeitados, isso mostra que o futebol brasileiro encanta todo mundo. Nós andamos em shoppings, restaurantes, tudo bem à vontade, porém temos que ter paciência, pois vários torcedores nos param pedindo autógrafo. Mas isso faz parte da nossa vida, é muito gostoso e gratificante a nós jogadores, sinal que nosso trabalho esta sendo bem sucedido.

O que você projeta para a sequência de sua carreira? Pretende continuar atuando na Europa ou quer voltar ao Brasil? E Seleção Brasileira, faz parte de seus planos?

Eu tenho mais três anos de contrato, espero cumprir meu compromisso com o Fenerbahçe e depois jogar por mais três anos na Europa. Após, quem sabe, penso em voltar para o time que me revelou e encerrar minha carreira. Já não tenho mais esperança pela Seleção Brasileira. Claro que para nós, jogadores, defender nosso país está sempre presente em nossos planos. Sonhei por vários anos com esta possibilidade, principalmente quando estava jogando no Brasil, e vinha fazendo uma bela campanha pelos clubes onde passei. Porém, isso não depende só de mim e sim de quem está na frente da seleção brasileira. Mas Deus sabe o que faz....